26 de junho de 2007



Eu falo de solidão
eu falo e sinto
sinto com os olhos abertos
e fechados
sinto na cama vazia
e cheia de almofadas
sinto ter que
caminhar sozinha...
Quem me ouve, não imagina
que eu choro, às vezes
a noite, sozinha, na mesma cama vazia
palco da minha solidão.
Eu falo de solidão,
daquela que não se escolhe
e não se pode voltar atrás
Confesso,
sinto falta.
Eu falo de solidão
eu falo e sinto.

18 de junho de 2007

Felicidade

Olhos fechados
onde estou?
Olhos abertos
o Lago,
o Céu...
Nuvens?
Chocolate
Você!
Olhos molhados...
dor estranha do não estar
dor estranha de deixar
dor que se gosta quando doí...
Olhos nos olhos
quantos desejos se passam
e quando não passam
não findam
não acabam...
Num piscar de olhos
simples,
pura
Felicidade...
Sonetos que não são


"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."

(Hilda Hilst)

5 de junho de 2007




Inverno




Meus olhos estão secos

meus lábios

e meu coração

Clima estranho esse de Brasília

seca nossa pele

nosso querer, seca

a boca resseca

e sangra.

Vento frio,

gela

enquanto se aquece em algum lugar

eu espero o dia clarear.

Mas o tempo apaga tudo

e o tempo seca tudo...

o meu desejo

toda essa água,

evapora, sem você

remedio

e espero o verão voltar...