29 de julho de 2006

Dias estranhos, esses nossos dias...
confesso, ainda não sei como lidar...
andar sem ter a quem olhar
palavras a trocar, agora...
só calar,
risos,
mãos dadas...
agora um andar mais lento
solitário...
dias estranhos...

22 de julho de 2006

Se cantasse,
talvez o coração
Sossegasse no peito.
Mas vou perdendo o jeito
De cantar.
A vida,
devagar,
Leva-nos tudo,
e deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.
Lembro-me bem do seu olhar,
ele atravessa ainda a minha alma,
como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar.
O resto...
Sim, o resto parece-se apenas com a vida.
Ontem, passeei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras, despreocupadamente,
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Dói-me viver como uma posição incômoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das cousas,
onde sofrer seja uma cousa mais suave,
onde viver custe menos ao pensamento.
Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo.
Que sente tudo que eu sonho, como se fosse real,
que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta,
canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos
E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes
ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos...
"Naquela nuvem,
naquela,
mando-te meu pensamento: que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida deram flor por toda a vida. A
i de mim que sobrevivo sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe,
atrás do oceano que nos meus se alteia entre pálpebras de areia"

(Cecília Meireles)
"Esse amor sem fim, onde andará?
Que eu busco tanto e nunca está.
E não me sai do pensamento, sempre, sempre longe.
Esse amor tão lindo que se esconde, nos confins do não sei onde.
Vive em mim além do tempo, longe, longe, onde?
Por que não me surges nessa hora como um sol.
Como o sol no mar quando vem a aurora. E
sse amor que o amor me prometeu.
E que até hoje não me deu.
Por que não está ao lado meu?
Esse amor sem fim,onde andará?
E sse amor, meu amor,
Onde andará? "
Como te amo?
Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo e ao mais alto que a minha alma pode alcançar buscando, para além do visível dos limites do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido – quando perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.

16 de julho de 2006

do que me vale...todas essas palavras?
nobre ilusão!
do que me vale...
todo esse amor?
do que me vale...
toda essa dor?
nobre ilusão..

(deixa eu tomar um remédio para dormir...que o pra dor não funciona mais)

14 de julho de 2006

13 de julho de 2006

"Ontem eu senti junto da tua carne
Uma energia rara...
teu calor prepara pra o perfeito encaixe
Ontem percebi que minha pele fala
E ela gritou maluca!"

7 de julho de 2006

nada mais dolorido que
sorrir...
me deixe chorar essa dor
me deixe ficar calada
essas poucas palavras
não bastam
e nunca bastaram
você não entende
e nem poderia
nada mais amedrontador
do que a dor
de sorrir

6 de julho de 2006

Me beija a boca com vontademe
morde o pescoço e
me arrepia a alma...
Suas mãos me roubam o calor
e meu corpo o espera
incansavelmente...
Puxa meu cabelo
e me fala suspirando coisas
inteligíveis
e o meu suspiro?
ouve apenas o ruído do silêncio dos nossos corpos
muitos silêncios...poucas palavras
Tudo tão claro...
existe algo que eu não sei o que é
e peço um pouco mais do tempo
e espero um tanto ainda
mas de repente
o despertador me acorda
desse inesquecível sonho...

5 de julho de 2006


Nada mais triste que meu olhar...no reflexo do espelho
hoje, nada mais triste...que eu!!!

3 de julho de 2006

a tempo não escrevo
mas hoje minhas palavras sucumbiram
e vieram parar aqui
me disseram em segredo
que gostariam de cantar para ti
uma canção,
suave...
canção de ninar
com umas simples palavras...
me deixa te amar?