28 de outubro de 2016





Eu penso constantemente em escrever cartas para você.,como faziam os que amavam, antes da tecnologia transformar um telefonema em prova de amor. 
Eu penso em escrever sobre mim...todos os desenhos escondidos sob a minha pele, sobre os cenários fantasiosos onde imagino, sempre, um desfecho ou um começo, glorioso para nós.
Ontem mesmo, pensei se você saberia como lidar com meus olhos vidrados no céu tentando localizar uma letra J que eu, desde criança, juro existir por lá.
Sobre como eu gosto de passar a mão nos meus cabelos quando eu estou com sono, ou sobre a minha eterna briga com o despertador, seja lá a hora que ele for tocar. Sabe isso é realmente sério, acordo sobressaltada, achando que ele já tocou e eu não ouvi, olho para ele e percebo que faltam 5 ou muitos minutos para o horário ajustado, volto a dormir, e perco o horário.
Hoje deitei no chão um longo tempo...e pensei que você nunca soube do meu gosto em deitar no chão, qualquer um, e de colocar meus pés descalços no piso frio, na grama, na areia...
Passei os olhos na minha estante e constatei o quanto minha memória só serve para coisas inúteis, eu nunca me lembro o nome do autor, o nome do livro, do filme...os finais dos filmes, por isso preciso assistir de novo e mais uma vez.
Paçoca e Pistache deitaram no meus pés ou no meu colo o dia todo, e eu me sinto a pessoa mais importante para alguém, eles me olham com olhos de amor e eu retribuo, na medida do possível. Pensei se você compreenderia meu amor por eles, e por todos os cachorrinhos, gatinhos, passarinhos...
E para não terminar...se você perceberia meus olhos marejados com uma música que me transporta para um outro tempo...onde a noção do tempo/espaço tem outro sentido ou nem tem sentido....e de como essa sensação se prolonga por toda a extensão da minha pele deixando aquelas bolinhas deliciosamente dolorosas...de saudade.
Eu provavelmente escreveria essas cartas à mão, ou em uma nostálgica máquina de escrever manual, mas certamente, a essa altura, não posso abrir mão de um corretor de texto e de uma xícara de café.

21 de outubro de 2016


Aí de mim que confunde aconchego com lampejo...tão fluído, passou por entre os dedos abertos para você ...mãos estendidas, fiquei perdida.
Aí de mim que confunde, sempre, amor e dor, sei bem melhor agora de tudo isso para não me  esquecer, ver e reconhecer.
Aí de mim que confunde tesão com aceitação, como se fosse possível enxergar o outro e ver para além do que gostaríamos que estivesse ali.
Aí de mim e de todas as pessoas que confundem amar com encaixar... e encaixar para caber dentro dos limites exatos do nosso querer, do que queríamos ser e nunca seremos.
E eu que estava adormecida, convencida que tudo era o certo, tenho agora os olhos fundos de nuvem e...tudo doí, tudo é vazio, com um banco no parque que espera pelos amantes que nunca mais virão.