16 de agosto de 2017

Ben





Você me pede: - abra os olhos!- olhe para mim! - não desvie o olhar!

E eu, olho.
Você me pede: - fica não tenha medo- eu cuido de você...
E eu, sem saber como...fico
Você me abre os braços...e eu, pulo e me aninho cuidadosamente para caber no seu abraço.
Você sorri alto...tira sarro da minha seriedade...me desconcerta.
Eu me solto e me entrego ao riso...e nem me reconheço...quem é essa menina leve (pálida) refletida no espelho ao lado da sua cama?
Deita sobre o meu corpo...e me olha com seus olhos de ternura.
Acaricia meus cabelos e me abraça forte...faz cessar as dores do passado.
Me abraça de novo...e a gente conta até três para retornar ao mundo real...1, 2...3 e já!
Nesse mundo onde me  ocupo em pensar...como Será?
Conto o tempo...exaustivamente ...para reencontrar esse brilho no seu olhar ...
Que me enche de esperança e ilumina o escuro do meu medo de amar.

18 de abril de 2017

Destruída. A menina já não tem brilho nos olhos. A menina já não pode sonhar.
Conheceu o céu...só para cair de lá. A queda...em looping, não acaba nunca..nunca chega ao chão.
Melhor seria bater com força no chão e quebrar de vez em pedaços que a queda em si ainda não quebrou.
Só assim poderia a menina juntar seus cacos e se reinventar..toda fora do lugar..mas em terra firme. É preciso ter cautela e delicadeza para tentar colar os pedaços e calar as dores.
Mas por enquanto...a menina só pode gritar. Grito de queda. Olhos fechados...esperando o chão chegar para se despedaçar.

17 de novembro de 2016

Meu lugar



Você entrou na minha solidão com cuidado,quando decidiu, naquele dia, não desistir...
Pegou na minha mão com força e fechou os olhos enquanto me beijava com calma...senti tudo o que pode caber mas que nunca esteve.
Você me pediu para ir com você, tantas vezes...e eu não pude, eu não quis...negar o que pulsava em mim. Vida!
Você me abraçou em silêncio e fez descansar meu cansaço no seu colo, aconchego de rede.

Em três curtas e intensas frações de tempo... nos fizemos bem...um ao outro. 
Lambemos nossas feridas com carinho e nos entregamos a toda a beleza que só os olhos da alma podem perceber.
E quando nos abrimos, conseguimos ver , ouvir  e sentir toda a magia e mistérios da completude que só o amor pode nos permitir.
Não poderemos negar o sol que brilhou no momento exato para iluminar nossos corpos entregues, sem censura, um para o outro. 
Não poderemos esquecer o som dos nossos sorrisos incrédulos com a lua que se exibiu no exato ângulo do nosso aconchego. 
Não poderei esquecer de todos os ângulos que filmei você, sem você perceber...e do amor que me inundou quando eu te vi sorrir, feliz.
Vou lembrar, sempre, das suas expressões...surpreso? com tudo aquilo que nunca havíamos sentido, ousado imaginar.
Não conseguiremos esquecer, nem se quisermos, dos nossos corpos arrepiados com a energia desse amor, percorrendo todos os cantos da nossa pele...do céu se abrindo para nós, para os sóis e lua, para ver toda a força do universo na ponta dos nossos dedos. 
Lembraremos ainda dos pequenos milagres da vida...do carinho dos cães, das borboletas dançando no ar, da vontade de não acabar...e da certeza que o ainda estamos por começar...




28 de outubro de 2016





Eu penso constantemente em escrever cartas para você.,como faziam os que amavam, antes da tecnologia transformar um telefonema em prova de amor. 
Eu penso em escrever sobre mim...todos os desenhos escondidos sob a minha pele, sobre os cenários fantasiosos onde imagino, sempre, um desfecho ou um começo, glorioso para nós.
Ontem mesmo, pensei se você saberia como lidar com meus olhos vidrados no céu tentando localizar uma letra J que eu, desde criança, juro existir por lá.
Sobre como eu gosto de passar a mão nos meus cabelos quando eu estou com sono, ou sobre a minha eterna briga com o despertador, seja lá a hora que ele for tocar. Sabe isso é realmente sério, acordo sobressaltada, achando que ele já tocou e eu não ouvi, olho para ele e percebo que faltam 5 ou muitos minutos para o horário ajustado, volto a dormir, e perco o horário.
Hoje deitei no chão um longo tempo...e pensei que você nunca soube do meu gosto em deitar no chão, qualquer um, e de colocar meus pés descalços no piso frio, na grama, na areia...
Passei os olhos na minha estante e constatei o quanto minha memória só serve para coisas inúteis, eu nunca me lembro o nome do autor, o nome do livro, do filme...os finais dos filmes, por isso preciso assistir de novo e mais uma vez.
Paçoca e Pistache deitaram no meus pés ou no meu colo o dia todo, e eu me sinto a pessoa mais importante para alguém, eles me olham com olhos de amor e eu retribuo, na medida do possível. Pensei se você compreenderia meu amor por eles, e por todos os cachorrinhos, gatinhos, passarinhos...
E para não terminar...se você perceberia meus olhos marejados com uma música que me transporta para um outro tempo...onde a noção do tempo/espaço tem outro sentido ou nem tem sentido....e de como essa sensação se prolonga por toda a extensão da minha pele deixando aquelas bolinhas deliciosamente dolorosas...de saudade.
Eu provavelmente escreveria essas cartas à mão, ou em uma nostálgica máquina de escrever manual, mas certamente, a essa altura, não posso abrir mão de um corretor de texto e de uma xícara de café.

21 de outubro de 2016


Aí de mim que confunde aconchego com lampejo...tão fluído, passou por entre os dedos abertos para você ...mãos estendidas, fiquei perdida.
Aí de mim que confunde, sempre, amor e dor, sei bem melhor agora de tudo isso para não me  esquecer, ver e reconhecer.
Aí de mim que confunde tesão com aceitação, como se fosse possível enxergar o outro e ver para além do que gostaríamos que estivesse ali.
Aí de mim e de todas as pessoas que confundem amar com encaixar... e encaixar para caber dentro dos limites exatos do nosso querer, do que queríamos ser e nunca seremos.
E eu que estava adormecida, convencida que tudo era o certo, tenho agora os olhos fundos de nuvem e...tudo doí, tudo é vazio, com um banco no parque que espera pelos amantes que nunca mais virão.

25 de setembro de 2016

Flertando com o precipício

Sempre flertei com o precipício a uma distância segura, com os pés firmes na terra...
Olhava para o altura da queda e me contentava em apenas imaginar as sensações de me jogar.
E toda a minha história poderia ser resumida nisso...todas as escolhas e passos sempre me levam em um lugar protegido de todas as sensações intensas e descabidas.
Existem suas compensações...a vida passa lentamente pelos olhos e posso contar nos dedos da minha mão os "frios na barriga" que senti.
Como uma grande diretora da história da minha vida, controlo as cenas, as falas e as pausas. É tudo ensolarado, como uma tarde tranquila a beira mar, com o reflexo do pôr-do-sol nas minhas costas, iluminando com dourado meio mel...e que depois de quinze minutos fica entediantemente chato, morno, como o sol que nos aquecia mais cedo.
Mas um dia me descuidei da direção da minha história, e esbarrei em você como quem se choca com um trem em alta velocidade.
Num lampejo estranho meu corpo gritou pelo seu nome em público. O que terá sido aquilo?
Repasso imediatamente todas as minhas falas e cenas futuras e constato que seu personagem não estava previsto - improviso? Já não tenho mais controle.
Quem sabe seja essa uma história contada não apenas por mim, ou será que perdi essa parte? Quem terá encontrado? Quem está me pregando essa peça?
Depois de um tempo e de tentativas sem sucesso de retornar ao roteiro original... percebo....é o precipício, que me chama com um canto hipnótico...que me conduz a sua beira e diz..."se jogar é o pulsar da vida" é só ali nesses milésimos de segunda de queda, que reside a vida.
Olho bem no fundo dos seus olhos, e te entrego tudo, tudo que me veste o corpo e a alma, me dispo para um queda mais suave.
Mas você tem dores, como as minhas, e tem cores desenhadas no seu corpo, algumas incompletas, como as minhas letras e canções que nunca cantei a ninguém.
Eu não sei exatamente porque, mas me jogo, com os olhos bem fechados, com medo, e quando eu olho para cima, percebo que pulei sozinha.
Antes que o meus pés toquem por completo o chão, sou violentamente arremessada de volta, passo por você numa propulsão para o alto, e você permanece ali, parado, no mesmo e triste lugar, amarrado pelas suas promessas de não entrega.
Passo de novo por você, indo em direção ao chão e retorno, como uma roda-gigante de sensações, que eu nem sei quando vai parar. Vou conseguir escapar? Voltar ao ponto seguro e fora do precipício?
Mesmo que eu consiga aterrissar, serão inevitáveis escoriações e cicatrizes de uma queda de do meu morno lugar rumo ao desconhecido universo do querer...que agradeço por poder viver.




18 de setembro de 2016

O que poderia ter sido?
Imagino agora todas as possibilidades desse encontro...
Você teria me recebido com um sorriso? Eu teria conseguido disfarçar a minha timidez?
Talvez eu tocasse seu rosto com as pontas do meus dedos.. Ou então tamparia seus olhos e passaria a ponta da minha língua no canto esquerdo dos seus lábios.
Ou talvez nada disso. Você levaria suas mãos no meu pescoço e me puxaria lentamente, deslizaria seus dedos entre os meus cabelos e falaria algo desconexo ao pé do meu ouvido.. Talvez eu entenderia as palavras balbuciadas..
Mas isso não teria importância.
Quem sabe me convidaria para sentar e tomar um café ou um refresco. O dia estava quente e convidativo. Eu contaria coisas banais, tentando segurar a vontade de pular no seu colo.
Talvez eu nem saísse do taxi e o beijo aconteceria por entre a janela entreaberta.
E eu contaria ao taxista a nossa longa e tórrida história de encontros e desencontros. Provavelmente eu diria a ele que eu sempre fui louca por você, mas que nossas famílias nos separaram porque você precisava se casar com uma outra mulher.
Quem sabe o beijo aconteceria no saguão do aeroporto, e eu talvez perdesse o vôo e percebesse que nada mais faz muito sentido depois disso.
Ou quem sabe você me encontraria no hotel e me tiraria a roupa e me veria a alma, lentamente e sem pressa.
Mas talvez nada.. Absolutamente nada aconteça e eu permaneça assim... Na deliciosa fantasia do encontro que não aconteceu.